Escrevo este artigo no dia em que os senhores deputados discutem na Assembleia da República, o programa do governo empossado pelo senhor Presidente da República, e quatro moções de rejeição a esse mesmo programa apresentadas por todos os partidos da oposição.
Sabe-se assim, desde o início, que estaremos perante um governo a prazo.
Dir-se-á que em democracia há sempre solução para todas as situações que a própria democracia promove. E é verdade. Com maior ou menor custo para os países onde as crises ocorrem ciclicamente, a democracia como diria Churchill é «a pior forma de governo, à exceção de todas as outras que foram experimentadas.»
O que todos esperamos é que os agentes políticos assumam as responsabilidades pelos actos que praticam no exercício das suas funções. Não se pode exigir aos cidadãos e às empresas que tudo cumpram para depois tudo ser permitido aos representantes do povo.
No caso das empresas, espera-se que nomeadamente a nível fiscal, a estabilidade que foi alcançada e prometida em anos anteriores seja mantida, seja qual for a solução governativa que vier a ser alcançada.
Caso contrário, a confiança necessária para que as empresas se instalem, mantenham ou ampliem a sua atividade no nosso País, ficará irremediavelmente abalada. Porque quem cria emprego são as empresas e não o Estado. A este último, compete criar as regras e não as mudar a meio dos ciclos que as empresas estabelecem como necessários para o exercício da sua atividade, enquanto promotoras do investimento e a criação de riqueza.
Terminarei, com um poema do livro Mensagem de Fernando Pessoa, dedicado ao Infante D. Henrique e ao nosso destino comum, afinal sempre adiado.
O INFANTE
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma.
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
Artigo escrito por João Paulo Dinis
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