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A estória dos seis homens cegos, a ver

  • Por João Mouga Vieira
  • 05 de Julho, 2017
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Era uma vez há muitos, muitos anos, numa terra distante viviam seis homens cegos. Cada um deles tinha tido uma boa educação e um bom conhecimento do mundo com muitos contactos e leituras de livros em Braille.

Eles sabiam muito sobre muitas coisas, sendo considerados até sábios pela comunidade onde viviam, de tal forma que frequentemente recebiam pessoas vindas de muito longe para obter os seus conselhos. Eles ficavam felizes em poder ajudar e partilhar o seu conhecimento e responder a perguntas e desafios, por vezes, difíceis.

Num certo dia esses seis homens cegos e sábios foram visitar o jardim zoológico. Nesse dia, a guarda do jardim zoológico encarregue de os acompanhar estava preocupada com vários problemas pessoais, tinha tido uma forte discussão com o marido e os seus filhos pequenos fizeram disparates o dia inteiro.

O reboliço era tão grande na sua cabeça que quando foi tratar dos elefantes esqueceu-se de trancar a porta.

Os elefantes são animais curiosos e inteligentes. Primeiramente tentaram empurrar a porta para a abrir, mas como de costume inspecionaram-na com a tromba e o manípulo da fechadura cedeu. O portão balançou e a seguir rodou lentamente sobre as suas robustas dobradiças.

O elefante mais ousado ​continuou a ​empurrar o portão e este cedeu à sua força, olhou para a esquerda e para a direita, e silenciosamente saiu livremente do seu espaço.

Naquele momento, os seis homens cegos estavam próximo. Um deles ouviu o ruído das folhas do arbusto próximo e virou-se para ver o que se estava a passar.

"Olá bom dia!" Disse o primeiro homem cego ao elefante que estava ao lado dele. "Será que me pode ajudar a orientar para ir ao restaurante do jardim?” O elefante naturalmente não respondeu, movimentou lentamente a sua cabeça de um lado para o outro e continuou imóvel.

Dado não ter tido qualquer resposta deu um passo em frente e aproximou-se para perceber se essa pessoa silenciosa precisava de alguma ajuda.

Então embateu com estrondo na parte lateral do elefante, abriu os braços e de ambos os lados sentiu o enorme corpo do animal.

"Epá", disse o primeiro homem cego. "Eu acho que embati num muro alto e bem antigo".

O segundo homem cego ficou curioso com o sucedido e decidiu dar uns passos, ficando de frente para o elefante entendeu os seus braços e segurou na tromba. Rapidamente falou bem alto: "Não é um muro. Cuidado é uma enorme cobra! Devemos dar um passo atrás, pode ser venenosa".

O terceiro homem também decidiu avançar e descobrir o que estava a acontecer para explicar aos restantes companheiros o que afinal tinham encontrado. Caminhou até à parte de trás do elefante e tocou na cauda do animal. "Sabem o que se passa? Não é um muro e também não é uma cobra grande. Os dois estão errados. Eu tenho a certeza que é uma corda".

O quarto homem, depois desta falta de entendimento suspirou e mais uma vez pensou o quanto os seus amigos são opinativos e teimosos. Decidiu que deveria ir mais fundo nesta questão e agachou-se para pensar. Nesta posição sentiu as pernas do elefante. "Meus queridos amigos, este não é um muro antigo nem uma cobra. O que temos aqui, cavalheiros, são quatro troncos de árvore. É isso mesmo. Fica o caso esclarecido e sem qualquer dúvida".

O quinto homem cego não foi tão rápido a tirar conclusões. Caminhou até a frente do elefante e sentiu as duas longas presas. "Parece que estamos em presença de duas espadas. O que eu estou a segurar na minha mão é longo e curvo e afiado no final. Não tenho certeza do que pode ser, mas talvez o nosso sexto amigo nos possa ajudar".

O sexto homem cego coçou a cabeça, franziu o rosto e pensou. Realmente ele tinha sido sempre reconhecido como o mais ponderado e sábio de todos eles. Ele tinha consciência do que sabia e do que desconhecia.

Nesse momento, a guarda que estava a passar por ali, perguntou. "Olá! Estão a gostar da vossa visita ao Jardim Zoológico?" perguntou em voz alta para todos.  "Este jardim é muito agradável”, respondeu o sexto cego. "Talvez nos possa ajudar a descobrir a resposta a um enigma que estamos aqui a enfrentar".

"Claro", disse a guarda, enquanto agarrava firmemente a coleira do elefante que se encontrava parado na frente deles.

"Os meus amigos e eu não conseguimos descobrir o que é que está à nossa frente. Um de nós pensa que é um muro, outro afirma que é uma cobra, o terceiro referiu que tinha nas suas mãos uma corda, o quarto refere que são quatro troncos de árvore e o quinto falou em espadas. Que coisa pode parecer assim tão diferente para cinco pessoas ponderadas e com experiência da vida? " "Bem", disse a guarda do jardim. "Percebo a sua dúvida. Na realidade este elefante parece algo diferente para cada um de vós. A única forma para saber realmente o que é e para garantir que não nos enganamos é fazer exatamente o que fez. Perguntando e partilhando a experiência e o conhecimento que cada um tem podemos alcançar o entendimento completo de uma situação nova e complexa".

Os seis homens sábios tiveram que concordar com as palavras da guarda do jardim. Os primeiros cinco deles tinham sido demasiado rápidos a formar uma opinião sobre a experiência que estavam a viver, sem ouvir o que os outros tinham a dizer.

Estes homens agradeceram e acompanhados por estes pensamentos foram para o restaurante do jardim, sentaram-se e saborearam uma bebida fresca e agradável.

Esta antiga fábula indiana que foi reescrita e atualizada por Phil Shapiro contém alguns ensinamentos fundamentais para a vida.

Sabemos que devemos conhecer o todo e não só algumas das suas partes. Muitas vezes esse todo é muito maior que soma das partes o que lhe confere características e capacidades que o tornam maior e distinto.

Quando com demasiada pressa tiramos conclusões, com pouca informação, corremos o enorme risco de partir de um leque restrito de hipóteses, inferindo e concluindo de forma apressada e com frequência errada. A experiência e o conhecimento mostram que é nos pequenos detalhes que estão as grandes diferenças.

Atualmente, como vivemos em verdadeira correria e com demasiada informação, muitas vezes pouco relevante ou mesmo tóxica, o tempo de análise e de ponderação é reduzido levando a decisões precipitadas.

Nos dias de hoje com a proliferação dos meios e a facilidade de produção e divulgação de informação e conteúdos, muitos pretensos especialistas ou comentadores, fazedores de opinião divulgam ou promovem pareceres com deficit de informação relevante.

Nos negócios devemos ter também o cuidado de analisar de forma adequada cada situação. Recorrer à opinião experiente de quem de forma atenta se dedica ao acompanhamento dos negócios e que estando de “de fora”, sem o envolvimento emocional, está em melhor posição para ver "a floresta para além das árvores" e com essa atitude pode ajudar a integrar a informação, fazer perguntas e dar relevo ao que é importante e acompanhar na tomada da decisão, ou seja, a ver e a conduzir o elefante.

Artigo escrito por João Mouga Vieira

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